a leitura e o kindle

No fim de 2017, e agora, parando pra pensar, parece até que eu consultei um coach, mas foi totalmente intuitivo, eu peguei meu seguro desemprego e comprei um tênis de academia, um curso online para estudar para concursos e um Kindle.

As três coisas me renderam frutos, hoje pratico atividades físicas, sou servidora pública e leio bastante. E vim falar da leitura.

Eu adoro o Kindle. O meu é de 8ª geração, está pra fazer seis aninhos, me atende muito bem até hoje, o erro da Amazon foi criar um produto simples e que dure, porque agora eu só vou trocar de Kindle quando o meu entrar com pedido de aposentadoria.

E pra começo de conversa, a bem da verdade, eu quis escrever sobre Kindle porque sou das pessoas que desapegaram do papel, ah, mas livro físico é bem melhor, o cheiro, a sensação do papel na sua mão, não, nada disso, livro é pesado, ocupa muito espaço, e ler deitado é horrível.

2020, a pandemia fez com que eu voltasse a ler

Eu sempre gostei de ler, visitava a biblioteca da escola quase todos os dias, porque pegava os livrinhos de cem, cento e cinquenta páginas e lia em um, dois dias, que inveja de quem eu era no passado, não havia celular na época, ou pelo menos não com as distrações que temos hoje.

E por falar em hoje, ficou, sim, mais difícil ler com tudo o que temos de entretenimento. Só pra falar de vídeo, primeiro veio o YouTube, e assistir é bem mais fácil que ler, depois os vídeos em redes sociais, por fim a tiktokerização do conteúdo, ou seja, entregar em um minuto, de forma condensada, a coisa mais interessante possível para o público alvo. É dizer que as pessoas sequer têm paciência, então, para assistir os vídeos de cinco, dez, vinte minutos de antes. Se o vídeo não te convence, em meio segundo, de que vale a pena ser assistido, você passa para o próximo, e faz isso por horas, todos os dias. Onde fica, então, o espaço para a leitura, que requer seu esforço consciente para que você se entretenha?

Por isso, fiquei vários anos sem ler. Mesmo depois do Kindle. Para desenvolver o hábito da leitura deve-se criar um método. Eu criei alguns, vou compartilhar e aí você vê se serve para as suas necessidades:

  • Ler mais de um livro por vez: é contraintuitivo, mas pense nas outras coisas da sua vida, você não vê só um tipo de vídeo, não come só um tipo de comida e nem veste só um tipo de roupa, porque é enjoativo. A variedade faz bem pra que se possa descansar do objeto x utilizando o objeto y, e é por isso que eu sempre estou lendo dois, três livros de uma vez, tente fazer um rodízio, termine um capítulo e leia o próximo livro, e leia tipos diferentes, um literário, um para aprender algo, um de um assunto que você jamais toparia de forma tradicional na sua vida*;
  • Ter um momento de leitura: eu leio no ônibus, a caminho do trabalho, é meu momento sagrado de leitura, uns vinte minutos sossegados que me permitem avançar algumas páginas por dia, é minha meta, o que passar disso é bônus;
  • Mergulhar na leitura: de certa forma falei disso aqui, funciona principalmente quando se está precisando de uma desintoxicação da informação fácil, eu sei que tem um nome para isso, mas não consigo me lembrar, leia bastante, pelo menos um capítulo completo, leia até esquecer que existe vida fora do livro, e se ver que está quase acabando, faça um favor a si mesmo e coma o livro até chegar ao fim – e já engate um livro novo.

*Uma vez resolvi ler A Cor como Informação, um livro que fala sobre as propriedades da cor e como ela é utilizada em propaganda, veja bem, eu sou engenheira, não tenho afinidade alguma com publicidade, não sabia nada sobre cores, mas ler coisas totalmente fora da sua área é ótimo para abrir o leque de Conhecimentos Que Um Dia Podem Ser Úteis, e falo por experiência própria, sempre dá pra utilizar na sua vida.

Se você está pensando em comprar um Kindle, faça isso. Os livros físicos continuarão existindo, e se você fizer questão de ter sua versão em papel, compre, ninguém vai te bater, o Kindle não terá sido em vão, vá tranquilo, vocês vão se tornar grandes amigos. E compre uma capa, porque o meu apanhou demais até eu ganhar a minha de presente.

Prazer de estar por fora. Sentir-se satisfeito ficando em casa e se desconectando como forma de autocuidado; via

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