Estou lendo O Livro da Astrologia, de Carlos Orsi, um título que me chamou a atenção porque eu nunca fui a fundo nesse assunto antes, apesar de me declarar uma típica virginiana desde que entendi o que significavam os signos. Quando peguei pra ler, francamente não sabia se seria um livro a favor ou contra a astrologia – o subtítulo sugestivo “um guia para céticos, curiosos e indecisos” não me enganou por completo, eu sabia que tinha algo importante ali.
E tem mesmo. Desde a primeira página, O Livro da Astrologia é uma paulada na cabeça da gente, que acha bonitinho brincar com signos, eu sou virginiana com ascendente em libra, por isso sou sistemática porém diplomática quando necessário, e ele está me fazendo refletir sobre várias coisas, especificamente: será que me falta rigor científico também em outras coisas?

Deixe-me explicar, há muitos anos me considero uma pessoa esclarecida, que não acredita em crendices, que jamais cairia em algum golpe de charlatanismo, e eu inclusive não dava muita bola para a astrologia até um certo dia, na universidade, que um professor, em quem eu não confiava, deixou um texto para gente ler e resumir, fora do assunto que estávamos estudando. Esse texto, e eu procurei bastante, mas nunca mais encontrei, dizia que, se a lua influencia as marés, como que ela, o sol e os planetas em geral não influenciariam a nossa vida?, dei tudo como verdade e comecei a abraçar a astrologia, e agora, lendo esse livro do Carlos Orsi, aprendi que esse argumento é um dos mais fáceis de desmistificar, junto com outros muito melhores, mas não vou dar detalhes aqui, vou deixar o link para quem quiser. É um livro curtinho, de leitura fluida, que acaba falando, indiretamente, de outros tipos de charlatanismo junto.
Em ciência, essa prática é chamada de “cherry picking” – escolher a dedo os exemplos que sustentam a hipótese defendida, e fingir que os exemplos contrários não existem. É também considerada uma forma grosseira de desonestidade. No meio esotérico, é prática usual.
E aí é que entra minha reflexão a respeito do rigor científico: o que é que eu ando considerando, na minha vida, como verdade absoluta, que é simplesmente erro de amostragem, coincidência, validação subjetiva ou evitação de provas contrárias?

Já pensou, virar pra minha terapeuta e falar assim, olha, eu li um livro que me fez compreender totalmente isso que a gente vem tentando trabalhar desde o ano passado, mandar um Pollo, “curei a depressão/ apenas com uma sessão/ no meu próprio consultório”.
Está decidido: vamos aplicar rigor científico agora às loucuras que eu atribuía aos mistérios do planeta…

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