É um momento fugaz, uma fração de segundo em que algo acontece ou é percebido. O instante pode ser considerado como o menor intervalo de tempo mensurável (…)
Outro dia usei a palavra instante em uma postagem, para não repetir “momento”, e notei que, na verdade, o instante é muito mais afiado, materialmente falando, ainda que seja intangível.
Outro dia ainda, esse há mais tempo, eu disse que termos matemáticos devem possuir significado na gramática, e isso também se aplica aqui. Tudo bem que, nesse caso, instante é uma palavra que possui muitos significados diferentes e eu sequer ousaria chutar qual é o seu sentido original. Mas gostaria de falar de um em específico.
Instante é uma das palavras que consegue exprimir, no português, um perfeito conceito da física: é aquele tempo que não chega a ser decorrido, é um ponto na cronologia, é infinitesimal, é singular. Mesmo assim, instante é um momento que cabe dentro da nossa percepção.
É o momento em que se percebe que se esbarrou a mão num copo cheio de água ao lado do notebook.
É o momento em que se consegue juntar forças suficientes para empurrar uma pessoa que tentava te jogar em uma vala de três metros de altura.
É o momento em que se percebe que não se deveria ter entrado num quartinho com três caras mais velhos.
Mas não só.
É também o momento em que se nota um sorriso, um timbre diferente.
Que se começa a gargalhar, especialmente quando não é recomendado.
Que se encontra o próprio nome numa lista de aprovação.
O instante, quando relevante, às vezes se faz notar no corpo com uma rápida conexão nervosa, que se sente fisicamente, e que culmina, às vezes, num batimento errado do coração.
“As coisas não estão no espaço, leitor; as coisas estão é no tempo. Há, nelas, ilusórias permanências de forma, que escondem uma desagregação constante, ainda que infinitesimal.” O Amanuense Belmiro, de Cyro dos Anjos

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