língua portuguesa

Um dos meus maiores aborrecimentos do dia-a-dia é encontrar erros ortográficos e gramaticais em alguns lugares, veja, não estou falando aqui de uma frase escrita por uma pessoa cuja especialidade nada tem a ver com a língua portuguesa, não, estou falando de veículos de comunicação, de sites de notícias tradicionais que me lançam um exitou, não em “obteve êxito” (muito embora eu nunca tenha visto o emprego dessa palavra, até porque a grafia é horrível e me lembra gente que não sabe conjugar o verbo excitar), mas em “teve incerteza”, no lugar de hesitou, não é possível que permitam que isso aconteça, fico muito chateada.

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(Eu vou chutar que isso tem acontecido mais e mais em jornais pela pressa irremediável em ser o primeiro canal a veicular uma notícia, tudo é por cliques, manchetes viraram baits, matérias não dizem muito.)

Isso, para mim, causa pelo menos dois grandes problemas, o primeiro sendo que não se pode utilizar, com a mesma confiança de antes, a máxima quem lê melhor escreve melhor, porque nossos seres humanos em processo de formação estarão aprendendo que exitou significa teve incerteza, e daí pra frente é só ladeira abaixo; o segundo problema é que, não sei se pelo momento da internet que vivi, mas, ao menos para mim, erros de português significam fonte insegura, spam, malware, resumindo, não se pode confiar naquilo que está escrito.

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bandidos um passo à frente

Ainda sobre o primeiro problema, há quem diga que os livros de hoje não prestam, que não adianta tentar ler algo novo que não vai dar certo, só os clássicos são clássicos, bem escritos, com boa trama etc. Apesar do meu receio em estar perdendo conteúdo novo de qualidade, em geral eu concordo, digo ainda que já li muitos livros “novos” lançados com inúmeros erros ortográficos, falta pontuação aqui, sobra ali, até mesmo erros de, como se chama?, diagramação?, com palavras escritas em fontes diferentes, deus que me perdoe, mas meu preconceito se instala rapidamente.

Por outro lado, acredito piamente na capacidade que o bom português tem de transmitir certa credibilidade e seriedade ao assunto tratado, eu sempre respeito quem domina a língua portuguesa:

paralisação, e não com z

E também quem sou eu pra dizer alguma coisa, minha formação é em exatas, tem muita regra do português que ignoro, se sei escrever é porque minha mãe me enfiava livros desde pequena, não somente livros infantis, livros com muitas palavras e instruções, como esse aqui:

um livro que não apenas me ensinou a língua como me moldou o caráter; via

Eu fico triste que as discussões a esse respeito, hoje, sempre morrem no argumento de que a língua é viva, e está sempre mudando, se moldando, o dicionário abriga novos verbetes, permite novas formas de escrever a mesma palavra, foi assim com mussarela, quando finalmente aprendemos que o correto é muçarela, alguns dicionários já haviam adotado a forma com dois s, para mim o que vale é o que está na etiqueta da balança do supermercado, mas tenho a impressão de que a língua é viva muitas vezes acaba servindo de muleta para a prática desleixada do português, como no primeiro exemplo do post, não se pode aceitar tudo, não senhor, as coisas têm limite.

No fim das contas, eu ainda acredito que a melhor forma de escrever é, sim, lendo bastante. Por mais que estejamos expostos a erros grotescos uma vez ou outra, é lendo que se internaliza a gramática, e as regras que você não sabe explicar tecnicamente, você sabe de core, entende?, você simplesmente sente no seu coração se aquela forma é correta ou incorreta.

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2 respostas para “língua portuguesa”.

  1. Avatar de Celso Portiolli
    Celso Portiolli

    Adorei a publicação!
    É de se admirar quem domina nosso idioma. Parabéns por todo o trabalho realizado.
    Saudações

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  2. Avatar de a calabresa de são paulo – o demônio, de pantufas
    a calabresa de são paulo – o demônio, de pantufas

    […] mussarela, muçarela, falei da palavra em post anterior, geralmente vem por cima da calabresa, o que não é tão grave quanto o item 1, mas demonstra […]

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