o ponto em que a tecnologia começou a entrar em declínio

capítulo um

Relatei aqui como foram os dias sem energia elétrica. As coisas ficaram bem mais analógicas, é verdade, mas ainda dava para carregar a bateria do celular em alguns lugares específicos, e o inimigo agora é outro, acompanhe, meu telefone enlouqueceu, entra em loop infinito de reinicialização, não segura a bateria, temo que tenha a ver justamente com as tomadas cracudas que usei nesses dias sem luz em casa.1

capítulo dois

Recentemente, fui obrigada a comprar um novo telefone, dessa vez foi tudo muito rápido, meu aparelho surtou, eu precisava de outro urgente, então meu pré-requisito era que ele chegasse imediatamente (dentro de 24 horas). Foi aí que decidi por um modelo igual ao meu anterior (Xiaomi Mi 10 Lite), que já estava fazendo seus três aninhos, só que mais moderno (Xiaomi 12 Lite).

Eu sou contra a obsolescência programada, meu telefone antigo era perfeitamente funcional, querido, útil, mas, por um capricho do destino, morreu. Seu sucessor é uma bosta. Ganha do antigo em todos os aspectos, segundo o site Tudo Celular, mas isso só na teoria. Na prática, o touch screen é pior, algo que eu nem sabia que ainda seria uma questão em 20232, a câmera é um lixo, porque, por algum motivo obscuro, os vendedores de eletrônicos gostam de pregar que megapixel é sinônimo de qualidade, acontecem umas travadinhas insanas que nunca vi no anterior, mas a pior parte, e isso eu sei que muitos modelos novos de outras marcas também estão fazendo, bem, é que ele vem sem entrada para fones de ouvido.

capítulo três

Tudo começou quando resolveram fabricar os primeiros fones sem fio. Fazendo uma corrida, um cardio, lavando uma louça, é fácil entender como o fio atrapalha a vida, mas fones sem fio são um pé no saco, também. Eles ficam bambos na minha orelhinha de rato e toda hora é uma ajeitadinha aqui e outra ali pra não perdê-los no meio da academia, a segunda maior vergonha depois de beber água de alguma garrafa alheia, e já passei pelas duas.

Agora, o celular não tem mais entrada P2. É dizer, use fones sem fio, ou use um adaptador na entrada do carregador, portanto não carregue enquanto ouve música (não faça isso mesmo), ou também não use nada, vire um funkeiro de busão, uma tia evangélica (minha atual realidade).

Já devo ter falado isso aqui antes (se eu tiver publicado; caso contrário, está por aí perdido nos meus rascunhos), mas a perda do hábito da escrita, sabe, pegar papel e caneta, se você é adulto, ou pegar papel e lápis, se você é criança, ou até mesmo pegar papel e lapiseira, se você é criança porém crescidinha, deve ter nos prejudicado como indivíduos, porque digitar é definitivamente diferente de escrever. Tanto é verdade que vivem tentando contornar esse problema, vide novo modelo de Kindle que te permite rabiscar, anotar, fingir que pega no papel de verdade.

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Mas ah, não vou falar mal do Kindle não, isso nunca, os livros físicos podem até ter seu charme, mas a leitura com o Kindle é muito otimizada: há que se abrir espaço para o rápido e prático, num mundo que nos obriga a ser rápidos e práticos, e essa é a parte boa da tecnologia, ter um GPS no celular é melhor que ter um mapa físico, ter uma máquina de lavar roupa é melhor que lavar roupa na mão, quem discordar que o faça no campo dos comentários.

A liberação por biometria também é algo que, pra mim, só dá certo se for bem feito, e geralmente não é. De que adianta colocar uma catraca com leitor de digital, se o leitor for incapaz de ler a digital? O tempo de vida que já perdi apenas com esse sistema é vergonhoso mencionar. Se formar fila atrás, pior, são meias risadas constrangidas para tentar não parecer um imbecil que não se lembra de qual dedo cadastrou ou cuja digital simplesmente não deve existir. Nada, dedo liso, nulo.

Para detectar se um produto tecnológico passou ou não do ponto ótimo, basta se perguntar se foram – e continuam sendo – lançadas inúmeras versões diferentes que tentam contornar o mesmo problema, e se esse problema foi causado justamente por uma inovação tecnológica do próprio produto. Ou seja, inova-se mais do que se deveria, arruma-se um novo problema, empreende-se esforços para resolver o problema que nem existia antes.

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Esse post não tem conclusão ou solução: é apenas um desabafo digitado, e não escrito, para ser lido em aparelhos que talvez já não tenham entrada para fones de ouvido.

  1. Esse post é uma junção de dois posts separados que escrevi em novembro de 2023 e nunca publiquei. Até hoje. ↩︎
  2. Novamente, esse rascunho foi escrito – e o celular foi comprado – em 2023. ↩︎

2 respostas para “o ponto em que a tecnologia começou a entrar em declínio”.

  1. Avatar de Stelinha
    Stelinha

    jamais usaria o campo dos comentários para discordar da autora deste blog (se já o fiz, não me lembro)

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    1. Avatar de kndrgt
      kndrgt

      A leitora torna meu trabalho fácil

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