Estive recentemente no Rio de Janeiro. A Cidade Maravilhosa abriga praias também maravilhosas, e, apesar do curto espaço de tempo que passei lá, pude aproveitar umas horinhas de sol no Leblon, que nem os personagens das novelas.
A questão que se colocou, por seus próprios meios, para mim foi: que tal homens que usam sunga?
Estalei os dedos mentalmente. Eu esperei por esse momento.
Primeiro de cabeça, e depois, com medo de me perder no raciocínio, no meu grupo de membro único no WhatsApp, comecei a fazer uma lista:

Lista de tipos de homens que usam sunga
- Gays
- Crianças
- Homens que tiram foto com a mão no volante, relógio aparecendo, e postam nos stories do Instagram
- Homens mais velhos que cultivam uma barriga de chopp de respeito

Não consegui pensar em outras categorias naquele momento, e mesmo agora não consigo, sei que existem, mas como não sou homem e não uso sunga, falta-me conhecimento de causa para destrinchar isso melhor.

Dito isso, gays. Gays possuem carta branca para usar sunga, não só porque homens no geral podem achar a vestimenta meio ousada demais para os padrões rústicos masculinos, mas porque a outra opção é naturalmente a bermuda cyclonada1, e não sei se existem modelos disponíveis que atenderiam ao senso estético que a comunidade LGBT, em geral, possui. Não consigo imaginar meus amigos gays usando uma peça chamada CALÇÃO DE BANHO.
As crianças dispensam comentários porque, até certo ponto na vida, as mães escolhem o que elas vestem. Mais tarde, o menino finalmente opta pela bermuda por motivos de constrangimento relacionado às mudanças que ocorrem no corpo, notadamente o excesso ou a falta do que mostrar2. Quem já passou pela adolescência sabe como funciona a imagem pessoal nessa fase.
Homens que tiram foto com a mão no volante formam uma categoria especial. Eu não direi que são todos, mas a tendência existe, sim. E são criativos. Não vai ser nem aquela sunga preta, simples, de cordãozinho preto ou cinza, não: eles vão escolher uma sunga vermelha, uma sunga branca, uma sunga com estampa de coqueiros, já até consigo visualizá-los com seus relógios brilhando na luz do sol, em bandos de dois ou três.
A imagem mental do último grupo é a visão lateral de uma flor cultivada, imaginemos por exemplo uma rosa, ainda em seu pedúnculo, em que as pétalas se assemelham à barriga, e a sunguinha nada mais é que o receptáculo, o cálice, firme em seu propósito de segurar toda aquela flor unida em uma coisa só.


Os tios da barriga de cerveja podem ficar tranquilos usando sunga simplesmente porque não ligam para questões tão mundanas quanto a escolha de vestimentas em diferentes situações sociais. A prova? O leitor repare em como eles se vestem em bares, festinhas, churrascos, apresentações dos filhos na escola, e perceba se não são absolutamente fiéis a eles mesmos.

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