Em Goiânia fazia sol e calor, e esse é todo o contexto que darei sobre quando decidi sair para comprar uma coca-cola na esquina.
Abri o portão do prédio enquanto me certificava de que minha carteira estava, de fato, no meu bolso.
– Viviane?
Quando olhei, percebi que um entregador de flores, segurando um buquê de rosas vermelhas numa mão, esperava alguém. Há dezenas de apartamentos no meu prédio, sei lá quantas Vivianes, fiquei reparando o buquê quando finalmente me lembrei de responder:
– Moço, não sou a Viviane, não.
E segui para o mercado.
O bom da coca-cola é que sempre tem. Nunca fui a algum mercado, bar ou mercearia que não tivesse coca. Abri a geladeira trincando, peguei o refrigerante, o vento gelado me deu alguns segundos de conforto enquanto o termômetro da porta denunciava minha molecagem.
Paguei e voltei para casa.
Quer dizer, me vi parada outra vez no portão.
Ali, ainda plantado na portaria, celular na mão, buquê na outra, o entregador de flores estava já meio murcho, que nem as rosas dele.
– Uai, a Viviane não apareceu até agora?
– Pois é, parece que ela não quer descer pra receber, não. Tô voltando, já.
Guardou o buquê no baú da moto e acelerou pela avenida.
Esperta, essa Viviane. Fez bem em não ter recebido as flores. O buquê nem era tão grande assim.
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