– A senhora poderia me informar a altura e a largura, por favor?
– Eu não sei, a foto é essa aí.
– Mas chuta.
– Hm… mais ou menos um e cinquenta por um e quarenta.
– Altura e largura?
– Altura e largura.
– Parece menos.
– Então por que você me perguntou?
– Você não aprendeu a estimar medidas?
– E o que isso tem a ver? Te chamei para fazer um orçamento.
– Tem a ver que você vai pagar a mais.
– A mais? Mas essas não são as medidas reais, é só uma estimativa.
– Mas o cliente sempre tem razão. Se você falou um e cinquenta por um e quarenta assim será.
– Não vai caber na minha varanda.
– Tarde demais. Já estão fabricando.
– Hã? Que horas você deu as medidas pra eles? Eu nem paguei ainda.
– Trabalhamos com base na confiança.
– E se eu não quiser?
– Vai ter que querer. Você que me chamou. Você quer.
– Não quero um vidro maior que minha varanda.
– Então por que deu as medidas maiores?
– Sei lá, pra saber o valor máximo que teria que pagar, mas é menor que isso.
– Não é assim que funciona.
– E funciona como?
– Quanto maior o erro do cliente, mais caro ele paga. Tem que acertar bem direitinho pra pagar mais barato.
– Mas o cliente sempre tem razão… não?
– Em algumas coisas. Podemos instalar amanhã?
– Mas já está pronto?
– Já.
– Não vai caber.
– Não.
– Quero cancelar, vá embora, por favor.
– Não tem como cancelar.
– Por favor, saia.
– Está bem, mas só consigo sair se…
– Se?
– Quais são as medidas da porta?
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